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Edição 6

Edição 6

Papo-cabeça, moda e outras coisinhas mais. Espia!

Olha eu aqui outra vez. Atrasada? Não exatamente: neste mês, a gente vai se encontrar aqui aos domingos. Muita gente gostando do conteúdo e me dizendo que, apesar de receber na sexta-feira, guarda para ler esta newsletter no fim de semana. Pois agora não precisa mais guardar, basta atualizar aí na agenda: nossos encontros serão agora aos domingos, às 11h da manhã. E antes que você dê o scroll, conto um pouco desta edição: uma abertura-cabeça sobre escutar, uma necessidade urgente, a tendência de valorizar até os livros acumulados e não lidos, o narcisismo revisitado pelo TikTok e uma collab tipo sonho. Vamos nessa? Semana que vem tem mais.

Encontros e desencontros

Escutar o outro sempre foi para mim uma ferramenta de trabalho e parte da minha trajetória como jornalista. Mas vejo que hoje falar sobre esse tema nunca foi tão necessário: é muita gente dando opinião sobre tudo, o tempo todo. E muitas vezes sem escutar ou se importar com o que outro quer dizer. Tenho acompanhado esse tema por meio da sempre excelente Ana Suy, escritora e psicanalista, que fez a seguinte colocação: “A gente escuta mal, compreende o que o outro não disse, entende o que a pessoa falou antes que ela termine de dizer, ouve o que o outro diz já pensando em responder”. Quase ao mesmo tempo, a também psicanalista Maria Homem citou nesta semana em suas redes Jacques Lacan: “Você pode saber o que disse, mas nunca o que o outro escutou”. Tudo isso me remete ao livro “Sol e Aço”, de Yukio Mishima, um dos maiores escritores do século 20, que já falava, em 1968, sobre a dificuldade da gente transmitir o que realmente pensa e sente, e que quando isso chega no outro, já chega como uma outra coisa de tantas interferências sofridas pelo caminho do pensamento de um até a compreensão do outro. Esse livro marcou minha vida. Para quem gostaria de se aprofundar um pouco mais na arte da escuta, tem um livro que já virou um clássico: “O palhaço e o psicanalista”, da editora Planeta, escrito pelo psicanalista Christian Dunker e pelo educador e palhaço Cláudio Thebas. É um verdadeiro beabá de como escutar os outros e a nós mesmos.

Passarela

Quando a gente acha que já foi impactado de tudo que é jeito pelos modismos mais estranhos que aparecem a cada ano, eis que chega mais uma onda e que apesar de ligeiramente esquisita, já sabemos que vai emplacar com tudo. Estou falando de uma parceria feita pela Miu Miu e a Church’s, ambas empresas parte do grupo Prada. A primeira faz uma moda bem mais jovem e a segunda, sapatos tradicionalíssimos. Tudo isso sai da cabeça pensante mais privilegiada do mundo da moda, Miuccia Prada. A parceria das duas marcas fez nascer o modelo de sapatos que promete chacoalhar as modettes mais jovens, como aconteceu com a minissaia que a Miu Miu lançou em 2021: uma comoção. E mesmo quem não for usar, por incompatibilidade total de estilo, com certeza vai se apaixonar. Como eu.
Força, foco e flerte

Hard disk

Muita gente reclama da quantidade de grupos de WhatsApp dos quais faz parte, mas eu devo confessar que alguns grupos que participo me trazem inputs dos mais interessantes. Num deles, só de mulheres, aprendi esta semana uma palavra em inglês que eu nem sabia que existia: antilibrary. Em português, seria algo como antibiblioteca, numa tradução ao pé da letra. Isso serve para descrever o hábito de ter livros não lidos em casa, na estante, na cabeceira, na mesa, mas não de uma maneira negativa e sim como uma ferramenta poderosa do nosso desejo de ampliar nosso repertório. O escritor Umberto Eco dizia que os livros lidos são muito menos valiosos do que os não lidos. Achei isso muito interessante até porque alivia em muito a nossa culpa. Claro que eu não dou conta de ler conta as centenas deles espalhados pela minha casa e para mim, essa descoberta foi um conforto. Vivendo e aprendendo.

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Espelho meu

Narcisismo sempre foi predicado que ninguém queria para si. E agora, nessa onda de rede sociais, virou uma hashtag com mais de 11 bilhões de visualizações no TiKToK. Segundo a revista do jornal inglês “The Times”, são milhares e milhares de vídeos ensinando como identificar um narcisista ou alertando sobre os perigos de um narcisista nos manipular. Até onde eu saiba narcisismo é uma patologia, um abuso, mas com a internet o termo ganhou holofote. Nessa trilha, uma psicoterapeuta inglesa chamada Sarah Davies estudou durante 10 anos o assunto e lançou o livro “How to Leave a Narcissist … For Good”. Tradução: “Como abandonar um narcisista para sempre”, disponível na Amazon. E atenção: todo cuidado é pouco.

Fornada

E não é que agora as padarias brasileiras, mais precisamente as paulistanas, foram parar na revista Condé Nast Traveler, uma das mais prestigiadas do mundo quando se trata de viagens? A reportagem destaca o número de padocas em São Paulo – 22.000 que produzem 25 milhões de pães todos os dias. Fala ainda da onda de pães de fermentação natural e cita duas casas em especial: Beth Bakery, na Vila Mariana, e a tradicional Basilicata, que funciona desde 1923 no bairro do Bixiga.

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Vida verde

Quando notícias sobre as mudanças climáticas viram parte do nosso dia a dia, falar sobre iniciativas sustentáveis que fazem a diferença é um verdadeiro alento. Como essa da JBS, que passará a abastecer lojas da Swift com energia elétrica produzida por geradores a biogás. Esse biocombustível virá do metano gerado em algumas unidades de produção da Friboi, outra marca da JBS – é bom lembrar que a JBS é uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Esse projeto é mais uma ação de sustentabilidade promovida pela Swift, que já tem 101 lojas com painéis solares instalados nos telhados de suas lojas. Com essa ação, 546 toneladas de gás carbônico já deixaram de ser emitidos na atmosfera. “Além de abastecer as lojas da Swift, podemos usar o biogás para gerar vapor nas caldeiras das unidades, como combustível para a frota da transportadora da JBS em substituição ao diesel ou até mesmo para produzir hidrogênio verde”, conta Gilberto Xandó, presidente da JBS Brasil. Que iniciativas como essa se reproduzam pelo país: é isso o que eu espero.